
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Os amigos
Os amigos estão lá quando o nosso coração se parte aos bocadinhos. Os amigos dão abraços apertados, dizem piadas só para nos verem rir, afagam-nos o cabelo para nos acalmarem. Há dias em que tudo corre mal. O trabalho corre mal, o carro avaria, as discussões são enormes, mas há amigos que estão lá. Que penduram prateleiras, que mudam fraldas, que jogam à bola. Os amigos são, seguramente, a outra família que escolhemos. Às vezes, até, os amigos são a nossa família. Mais dedicados, mais atentos, mais afectuosos, acima de tudo, mais amigos.
Obrigada a todos os amigos que têm ajudado a tornar esta tempestade mais suave. Obrigada J., obrigada F., obrigada PC. E obrigada, pai herói, por seres tão heroicamente fantástico quando, imagino, só te apetece fugir.
Obrigada a todos os amigos que têm ajudado a tornar esta tempestade mais suave. Obrigada J., obrigada F., obrigada PC. E obrigada, pai herói, por seres tão heroicamente fantástico quando, imagino, só te apetece fugir.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Subway Fashion
Percurso Cais do Sodré - Chiado, 9h10
Ela usa um vestido jeans claro com um folhinho um pouco abaixo dos joelhos. Tem quase um ar cândido, não fosse o decote ousado que deixa ver um soutien reles, preto, já muito usado, mas pouco lavado. O cabelo que é castanho, mas que ela gostava que fosse loiro, não tem uma cor definida. Ou melhor, tem. A raiz, que chega quase até ao queixo e transborda óleo, é castanha. O resto do cabelo é amarelo. Não loiro. Amarelo. Mesmo. Os pés têm as unhas cortadas e mal pintadas de um branco metalizado. Usa umas havaianas que também foram brancas há muito, muito tempo. No braço direito, mesmo junto ao ombro a tatuagem. Podia ser uma rosa vermelha rodeada por uma serpente ou um golfinho a saltar para a água. Podia ser todas estas vulgaridades, mas era muito mais do que isso. Era o Daniel. A cara do rapaz que estava sentado ao lado dela no banco do metro estava simplesmente fotocopiada no braço direito daquela rapariga de ar quase cândido.
Isto foi em fins de Julho. Mas não me saiu da cabeça o ar de desdém, de desamor com que o Daniel olhava de soslaio para aquela miúda. Nunca mais os vi no metro. Será que o namoro continua? E a tatuagem do Daniel ainda estará naquele braço suado, encardido?
Ela usa um vestido jeans claro com um folhinho um pouco abaixo dos joelhos. Tem quase um ar cândido, não fosse o decote ousado que deixa ver um soutien reles, preto, já muito usado, mas pouco lavado. O cabelo que é castanho, mas que ela gostava que fosse loiro, não tem uma cor definida. Ou melhor, tem. A raiz, que chega quase até ao queixo e transborda óleo, é castanha. O resto do cabelo é amarelo. Não loiro. Amarelo. Mesmo. Os pés têm as unhas cortadas e mal pintadas de um branco metalizado. Usa umas havaianas que também foram brancas há muito, muito tempo. No braço direito, mesmo junto ao ombro a tatuagem. Podia ser uma rosa vermelha rodeada por uma serpente ou um golfinho a saltar para a água. Podia ser todas estas vulgaridades, mas era muito mais do que isso. Era o Daniel. A cara do rapaz que estava sentado ao lado dela no banco do metro estava simplesmente fotocopiada no braço direito daquela rapariga de ar quase cândido.
Isto foi em fins de Julho. Mas não me saiu da cabeça o ar de desdém, de desamor com que o Daniel olhava de soslaio para aquela miúda. Nunca mais os vi no metro. Será que o namoro continua? E a tatuagem do Daniel ainda estará naquele braço suado, encardido?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Para ti, meu crescido
Há quatro anos estava prestes a ser mãe pela primeira vez. A minha vida ainda não tinha dado uma cambalhota, mas estava quase, quase... Há quatro anos ainda não percebia o que era o amor incondicional de que a minha mãe tanto me falava. Há quatro anos não sabia o que era viver numa preocupação constante. Há quatro anos não sabia o que era esquecer um dia mau só porque alguém salta para os meus braços ou me oferece o sorriso mais doce do mundo. Há quatro anos, Tiago, ainda não te conhecia. Já te sentia dentro de mim, já tinhas um pé a empurrar-me a costela, já tinhas soluços dentro da minha barriga, já existias na minha vida, mas ainda não te conhecia.
Conheci-te a 28 de Junho de 2005. Eras pequenino. Muito mesmo. Tinhas um babygrow do Super-Homem (desculpa, não havia do Homem-Aranha!) e um gorro azul às risquinhas. Hoje, quase quatro anos depois, não me emociono a pensar nesse primeiro encontro, emociono-me sim a ver como estás crescido, como já queres ser independente, como falas tão correctamente, como mimas a Madalena, como me abraças, me beijas com tanto carinho...
Para ti, meu crescido, aqui vai a tua música preferida. (O André é um parolo, sim é, mas o puto gosta e ver um filho feliz vale um coração cheio!)
Adivinha O Quanto Gosto De Ti
"Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever.
Sinto as pernas a tremer, quando sorris p'ra mim, quando deixo de te ver.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.
Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar.
Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta.
Quantas vezes nem olhaste para mim.
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses.
Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim."
Conheci-te a 28 de Junho de 2005. Eras pequenino. Muito mesmo. Tinhas um babygrow do Super-Homem (desculpa, não havia do Homem-Aranha!) e um gorro azul às risquinhas. Hoje, quase quatro anos depois, não me emociono a pensar nesse primeiro encontro, emociono-me sim a ver como estás crescido, como já queres ser independente, como falas tão correctamente, como mimas a Madalena, como me abraças, me beijas com tanto carinho...
Para ti, meu crescido, aqui vai a tua música preferida. (O André é um parolo, sim é, mas o puto gosta e ver um filho feliz vale um coração cheio!)
Adivinha O Quanto Gosto De Ti
"Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever.
Sinto as pernas a tremer, quando sorris p'ra mim, quando deixo de te ver.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.
Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar.
Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta.
Quantas vezes nem olhaste para mim.
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses.
Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim."
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Hoje
Hoje faz seis anos que trabalho neste jornal. Entrei aqui com 25 anos. Solteira, ou melhor, amantizada. Depois engravidei. No dia em que soube que estava grávida recebi um convite para ir para uma revista. Não fui. No dia seguinte recebi outro convite. Também não fui. Depois casei-me (ainda grávida). Depois nasceu o Tiago. Depois recebi outro convite para sair do jornal. Não saí. Voltei ao trabalho. Mudei de função e de lugar trilhentas vezes. Entretanto, voltei a engravidar. desta vez não fui parva e não fiquei a trabalhar quase até o bebé nascer. Fiquei em casa dois meses a engordar como uma lontra. Depois nasceu a Madalena. Deixei de dormir. Voltei ao trabalho. Mudei de função e de lugar outra vez.
Faz hoje seis anos que entrei nesta redacção para ser subeditora das Belas&Perigosas. Já ri, chorei, gritei (pouco ou quase nada porque não é o meu estilo) e fiz sei lá mais o quê. Agora, estou só a decidir se a média destes seis anos é positiva ou negativa...
Faz hoje seis anos que entrei nesta redacção para ser subeditora das Belas&Perigosas. Já ri, chorei, gritei (pouco ou quase nada porque não é o meu estilo) e fiz sei lá mais o quê. Agora, estou só a decidir se a média destes seis anos é positiva ou negativa...
sábado, 13 de junho de 2009
31º
Estão 31º graus na rua, o que significa que está um calor insuportável. Logo, como é possível eu ter visto um rapaz de t-shirt, camisa e kispo a atravessar a Avenida da Liberdade? Chegou agora da Sibéria e ainda não teve tempo de mudar de roupa? Nem imagino o cheiro daqueles sovaquinhos...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O Sr. Queiroz
Sou só eu ou há para aí mais alguém que acha que o sr. Carlos Queiroz nunca deveria ter saído do banco ao lado do sr. da pastilha elástica?
Não digo isto por Portugal não jogar nada desde que ele para lá foi, digo isto desde o momento em que soube ele ia sair do banco ao lado do sr. da pastilha elástica. É que assim de repente não me lembro de nenhum grande feito do homem como treinador principal de homens a sério, não putos a começarem a jogar à bola...
Não gosto dele. Nunca gostei. Não como pessoa que, coitadinho, deve ter as suas qualidades, mas como treinador que, coitadinho, não lhe revejo grandes qualidades.
Eu sei que não sou propriamente uma perita em futebol, em tácticas, eu sei que ainda não percebo muito bem o que é um 4x3x3 ou outras coisas esquisitas destas. Mas sei o que é uma equipa jogar muito mal futebol. E sei que depois de termos empatado com a Estónia, não me interessa se a jogar com A ou com B, o sr. Queiroz tem a coragem de dizer que faz um balanço positivo da temporada, não é uma boa coisa de se dizer. Agora "só" precisamos de vencer a Dinamarca e a Hungria para podermos ver a selecção com os pezinhos no Mundial. Mas para quem fez um jogo miserável com a Albânia, não me parece que o passaporte esteja garantido...
E mesmo que cheguemos lá, e mesmo que ganhemos a taça (ahahahahahahaahahah), eu vou continuar a não gostar do sr. Queiroz. E também não gosto do bimbo do Ronaldo. E também não percebo como se põe o Pepe a jogar quando ele está parado na sua equipa. Mas isso sou eu que não percebo nada de futebol.
Não digo isto por Portugal não jogar nada desde que ele para lá foi, digo isto desde o momento em que soube ele ia sair do banco ao lado do sr. da pastilha elástica. É que assim de repente não me lembro de nenhum grande feito do homem como treinador principal de homens a sério, não putos a começarem a jogar à bola...
Não gosto dele. Nunca gostei. Não como pessoa que, coitadinho, deve ter as suas qualidades, mas como treinador que, coitadinho, não lhe revejo grandes qualidades.
Eu sei que não sou propriamente uma perita em futebol, em tácticas, eu sei que ainda não percebo muito bem o que é um 4x3x3 ou outras coisas esquisitas destas. Mas sei o que é uma equipa jogar muito mal futebol. E sei que depois de termos empatado com a Estónia, não me interessa se a jogar com A ou com B, o sr. Queiroz tem a coragem de dizer que faz um balanço positivo da temporada, não é uma boa coisa de se dizer. Agora "só" precisamos de vencer a Dinamarca e a Hungria para podermos ver a selecção com os pezinhos no Mundial. Mas para quem fez um jogo miserável com a Albânia, não me parece que o passaporte esteja garantido...
E mesmo que cheguemos lá, e mesmo que ganhemos a taça (ahahahahahahaahahah), eu vou continuar a não gostar do sr. Queiroz. E também não gosto do bimbo do Ronaldo. E também não percebo como se põe o Pepe a jogar quando ele está parado na sua equipa. Mas isso sou eu que não percebo nada de futebol.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Conversas
Ontem passei umas horas bastante agradáveis na sala de espera do São Francisco Xavier.
Na sala de espera n.º1 ouvi uma senhora a explicar a outra o decorrer das buscas do voo AF447. A melhor parte foi quando a outra lhe perguntou "mas afinal o que aconteceu para o avião cair" e a senhora mais informada responde com o ar mais sério e certo deste planeta "só deus nosso senhor sabe o que aconteceu, só deus sabe...".
Depois fui chamada. Quando voltei a conversa estava muito mais interessante. A senhora mais informada lia um jornal onde dizia que um magnata qualquer era filho de um carpinteiro e de uma doméstica. A sobrinha não queria acreditar e quis ler com os seus próprios olhos. Leu e exclamou: "Então quer dizer que lá por eu ser filha de uma mulher a dias e de um desempregado ainda posso ser alguém." "Podes", diz a mais informada, "tens é que estudar muito". Ah pois é!
Voltei a ser chamada e quando voltei decidi mudar de sala de espera. Má escolha. Muito má escolha mesmo. A sala era muito pequena e as doenças pareciam que se propagavam só porque sim. Três minutos depois de eu me ter sentado lá num cantinho, chega a dona maria odete. Uma senhora pesada e com muita vontade de falar. Eu não tinha vontade nenhuma de falar. Nem vontade nenhuma de ouvir fosse o que fosse, a não ser o meu nome a ser berrado num altifalante esganiçado lá da sala.
Bem, a dona maria odete sentou-se e fez logo conversa com a senhora do lado. A senhora do lado não estava com ar de quem quisesse conversar. Mas ouviu-a. Ouviu ela e eu também. A dona maria odete tem diabetes. Há uns tempos pôs uma banda gástrica e emagreceu 50kg (mas ela ainda é enorme!!!!), mas está desolada porque há cinco meses que não come carne, peixe e fruta. Só sopa passada. Ontem foi ao hospital porque está com a pele que parece que apanhou um escaldão, mas não apanhou, até porque não vai à praia há anos. Talvez tantos como os que esteve fechada em casa - 15 anos! - por não conseguir andar por culpa do excesso de peso. Agora, "se deus quiser", faz 67 anos a 22 de Agosto.
Eu fiquei sempre de olhos postos numa revista que não me apetecia ler, só para os meus olhos não me cruzarem com os da dona maria odete. Eu sei que não é muito simpático dizer isto, mas eu queria paz e sossego e sair dali o mais depressa possível. Não queria saber de doenças de ninguém, nem de incentivos do estilo "ah quando o meu tio chegou a este hospital com uma dor de cabeça só saiu daqui para o cemitério". Não é bom ouvir isso na sala de espera de um hospital.
Na sala de espera n.º1 ouvi uma senhora a explicar a outra o decorrer das buscas do voo AF447. A melhor parte foi quando a outra lhe perguntou "mas afinal o que aconteceu para o avião cair" e a senhora mais informada responde com o ar mais sério e certo deste planeta "só deus nosso senhor sabe o que aconteceu, só deus sabe...".
Depois fui chamada. Quando voltei a conversa estava muito mais interessante. A senhora mais informada lia um jornal onde dizia que um magnata qualquer era filho de um carpinteiro e de uma doméstica. A sobrinha não queria acreditar e quis ler com os seus próprios olhos. Leu e exclamou: "Então quer dizer que lá por eu ser filha de uma mulher a dias e de um desempregado ainda posso ser alguém." "Podes", diz a mais informada, "tens é que estudar muito". Ah pois é!
Voltei a ser chamada e quando voltei decidi mudar de sala de espera. Má escolha. Muito má escolha mesmo. A sala era muito pequena e as doenças pareciam que se propagavam só porque sim. Três minutos depois de eu me ter sentado lá num cantinho, chega a dona maria odete. Uma senhora pesada e com muita vontade de falar. Eu não tinha vontade nenhuma de falar. Nem vontade nenhuma de ouvir fosse o que fosse, a não ser o meu nome a ser berrado num altifalante esganiçado lá da sala.
Bem, a dona maria odete sentou-se e fez logo conversa com a senhora do lado. A senhora do lado não estava com ar de quem quisesse conversar. Mas ouviu-a. Ouviu ela e eu também. A dona maria odete tem diabetes. Há uns tempos pôs uma banda gástrica e emagreceu 50kg (mas ela ainda é enorme!!!!), mas está desolada porque há cinco meses que não come carne, peixe e fruta. Só sopa passada. Ontem foi ao hospital porque está com a pele que parece que apanhou um escaldão, mas não apanhou, até porque não vai à praia há anos. Talvez tantos como os que esteve fechada em casa - 15 anos! - por não conseguir andar por culpa do excesso de peso. Agora, "se deus quiser", faz 67 anos a 22 de Agosto.
Eu fiquei sempre de olhos postos numa revista que não me apetecia ler, só para os meus olhos não me cruzarem com os da dona maria odete. Eu sei que não é muito simpático dizer isto, mas eu queria paz e sossego e sair dali o mais depressa possível. Não queria saber de doenças de ninguém, nem de incentivos do estilo "ah quando o meu tio chegou a este hospital com uma dor de cabeça só saiu daqui para o cemitério". Não é bom ouvir isso na sala de espera de um hospital.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
O sono

No comboio das 8h55, aquele que vem de São Pedro e liga Paço d'Arcos ao Cais do Sodré, a carruagem estava cheia, mas não demasiado cheia. Não demasiado cheia para ter descoberto o rapaz de 17 anos, não mais. Calças jeans meio coçadas, blusão à Top Gun com gola colada ao queixo, caracóis rebeldes não domados pelo gel mal espalhado e olhos de pestanas longas fechados. A descansarem. A terem o repouso que a noite não lhes deu. Corpo encostado à carruagem, balançado ao ritmo das curvas de uma linha junto ao mar.
Mais à frente, uma mulher de 36 anos. Corpo hirto. Pescoço enfeitado com um colar meio infantil, meio adulto. A rigidez da coluna não se desfez nem quando os olhos começaram a pousar num sono demasiado tenso para ser reconfortante.
Do lado da janela, uma boca aberta num ressonar quase mudo. Casaco transformado em almofada. Gravata fora do sítio. Cara inchada, roliça, marcada por um sono pesado que devia ter acontecido numa cama. Não ali. Da party directamente para o escritório? A loucura dos vinte?
Quase ao meu lado, o sono escondido. Óculos escuros enormes, cabelo bem arranjado, livro aberto numa página que nunca deu a volta em 13 minutos de viagem. O queixo cambaleante da mulher de 40 anos revelou o que os óculos escuros esconderam...
Muitos bocejos. Olheiras. Caras de sono. Olhos inchados. Rostos amarrotados.
Ninguém dorme à noite?
Mais à frente, uma mulher de 36 anos. Corpo hirto. Pescoço enfeitado com um colar meio infantil, meio adulto. A rigidez da coluna não se desfez nem quando os olhos começaram a pousar num sono demasiado tenso para ser reconfortante.
Do lado da janela, uma boca aberta num ressonar quase mudo. Casaco transformado em almofada. Gravata fora do sítio. Cara inchada, roliça, marcada por um sono pesado que devia ter acontecido numa cama. Não ali. Da party directamente para o escritório? A loucura dos vinte?
Quase ao meu lado, o sono escondido. Óculos escuros enormes, cabelo bem arranjado, livro aberto numa página que nunca deu a volta em 13 minutos de viagem. O queixo cambaleante da mulher de 40 anos revelou o que os óculos escuros esconderam...
Muitos bocejos. Olheiras. Caras de sono. Olhos inchados. Rostos amarrotados.
Ninguém dorme à noite?
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Escrever
“Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o coração simples de uma criança”
Ernest Hemingway
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